Não sei se todo mundo sabe, mas entre meus tops restaurantes-de-shopping o primeiro é, provavelmente o Wraps. O primeiro motivo, e acho que é o mais óbvio, é que ele foge do contexto praça-de-alimentação pra um ambiente mais reservado, gostoso, confortável e com música ambiente excelente. Sei que como publicitária estou mais imune do que muita gente e chega a me constranger a forma como esse lugar mexe comigo. Sabe, quando eu preciso muito estar em uma praia em Malé, eu vou pro Wraps e me sinto lá. Bobagem? Eu sei, mas me relaxa muito.
Verdade que nem de longe é o lugar mais barato, mas nem de longe é o mais caro. Tomar um Sardenha e comer uma saladinha lá, pra mim, é quase impagável, especialmente quando chega a hora do shoot de abacaxi com pimenta. Eu morro.
O negócio é que hoje, junto com o mini shoot de abacaxi (que eu amo, mas que vem numa quantia tao micro, que é incapaz de afogar uma formiga), veio um copinho verde-estranho com umas folhinhas estranhas dentro. “Sopa Knorr de espinafre com ervilha”, disse o moço, enquanto eu tentava processar rapidamente algo como “queporraéessacacete sopa de ERVILHA, e que fique claro, ervilha, as bolinhas venenosas verdes com, espinafre, num copo, como se fosse de beber. Tá certo que o copinho da sopa verde-bizarra era do tamanho do micro copo de shoot, mas péra lá! enquanto eu achava que o shoot era tao pequeno a ponto de nao ter o suficiente pra afogar a tal da formiga, a quantidade de sopa verde parecia avassaladora. Me parecia altamente perigoso que o copinho fosse derrubado e acabasse mantando, pelo menos, o shopping inteiro com o líquido pastoso (?) verde.
O moço simpático me deixou sozinha, eu, o copo verde de sopa, o copo amarelo de shoot, eu, o shoot, a sopa, a sopa, o shoot, eu e assim por diante. Olhei pro lado, a moça que sentava mais perto tinha abandonado a sopa lá, assim, sem nem encostar, enquanto meu cérebro berrava compulsivamente “que nojo, a sopa é verde, nao como mais nada aqui, vai que o cara que fez a sopa encostou no prato que eu vou comer, meu deus, que moça fresca, a sopa é de graça, tem gente morrendo de fome, hoje tá mó frio, caralho, o que eles tem na cabeça pra, nossa, se a moça for embora sem tomar a sopa, eu vou ser obrigada a pará-la e falar que isso não tá cer…, servir essa gosma verde com folha verde que vai grudar no dente”
Em um dos momentos enquanto meu cérebro definhava e eu olhava pros meus dois copinhos, minha mão, sem nem pensar em me obedecer, totalmente fora de controle (que fique claro, que eu só não cortei minha própria mão fora porque ela é quem teria que fazer isso e ela não me obedecia), pegou o copo verde, sim, o verde, da sopa gosma, e levou até minha boca. Essa foi a hora que eu tentava morder meus lábios e que eles, sensualmente se abriram pra sopa verde que automaticamente acendeu uma luzinha piscante (verde) que gritava no meu cérebro “uh, isso é booom, quero mais”.
Tomei a sopa inteira. Verde. Pastosa. Com folhinhas. Boa demais. Pensei até em comprar um pacote pra poder jantar sopa hoje a noite.